segunda-feira, 19 de março de 2012

Só sei que nada sabemos

Como profissionais de comunicação, seja ela propaganda, social media, entretenimento, transmídia etc., buscamos o tempo todo oportunidades para levar nossa marca a mente dos consumidores.  Alguns profissionais se tornam gurus do dia para a noite de uma determinada área que acabou ser criada, porém não vou me aprofundar nisso, pois esse assunto daria mais alguns artigos.
Muitos correm atrás das oportunidades e reclamam quando as mesmas não lhe são oferecidas. Tenho simpatia pelas pessoas que correm atrás de seus sonhos, porém admiro as que criam seus sonhos, ou seja, não correm atrás das oportunidades, eles as criam.
Por que abordei esse tema? Pois recentemente o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou uma pesquisa sobre a chamada “Terceira Idade”. A pesquisa aponta que em apenas 10 anos essa população aumentou cerca de 42%. São mais de 20 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos no Brasil. Esses dados por si só já surpreendem, porém, o potencial está nos cerca de 250 bilhões de Reais que essa população tem pra gastar.
Estudos apontam que as pessoas estão ficando cada dia mais tempo em casa, o que alguns especialistas classificam como “Vida em Casulos”, porém, os idosos querem passear, se divertir e aproveitar a melhor idade, onde já adquiriram a independência financeira e podem curtir os prazeres da vida.
Os dados de que os idosos estão gastando mais com lazer, turismo e cultura não são novidades. Aí é que está o gap. Se existe demanda, existe oportunidade, por que não aproveitamos esse potencial todo nas redes sociais e na internet?
As famílias brasileiras estão diminuindo a cada dia a população envelhecendo rápido.  A expectativa de vida de uma pessoa que nasceu em 2012 é de 73,5 anos. Ao longo de 3 décadas a expectativa de vida aumentou em dez anos e onze meses.
Uma coisa é perceptível: não estamos preparados para atender esse público. E o pior, temos muitos preconceitos com relação a eles. O simples fato de pensarmos que esse público não está presente no ambiente online já mostra o quanto os subestimamos.
As redes sociais são inteiramente voltadas para jovens e os sites são pensados, estruturados e layoutados para esse mesmo target.  Tem-se uma miopia com a terceira idade.
Nós jovens somos convictos em afirmar que sabemos tudo sobre sociabilidade, porém, temos muito a aprender. Temos muito trabalho pela frente, mas o bom disso tudo é que a oportunidade está aí, batendo à porta, escancara pra todos. Basta enxergá-la. Quem conseguir fazer certamente vai se dar bem.
Depois que a oportunidade passar, não adianta ficar resmungando e reclamando.

Texto originalmente postado no imasters.com.br 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mídia Social Tradicional

Que as redes sociais estão ganhando espaço no chamado “bolo publicitário” dos grandes anunciantes ninguém pode discordar. Agora, o que podemos questionar é que muito pouco se vê realmente de campanhas pensadas exclusivamente para as redes sociais.

A verba até pode sair dessa fatia e contabilizada para fomento do mercado, porém, isso reflete o que muitos se propõem a fazer?

As campanhas que mais tiveram sucesso nas redes sociais no último ano(prefiro não citar por questões éticas) me pareceram mais derivações de campanhas para mídias tradicionais do que de Social Media propriamente dita.

No meu ponto de vista ficam claros alguns cenários:
- as campanhas para social media ainda são pensadas por mentes voltadas para o tradicional, mesmo que seu planejamento tenha sido feito por jovens hard users.
- os anunciantes e a dependência das agências por determinadas contas influenciam as campanhas pensadas exclusivamente online. Poucos têm coragem de inovar, desafiar e provar para o cliente que suas estratégias dão resultados. Pelo medo de errar, não fazem.
- as agências ainda não conseguem apresentar claramente uma separação entre tradicional x digital.
(Para ser sincero, não concordo muito com o termo “tradicional”, justamente pela visão desse artigo, porém vou usá-lo para que fique mais clara a divisão.)


Parece-me que quando há integração entre meios, quase sempre prevalece o off line, que guia a campanha e o online tem de se adaptar. Há casos até que o pensamento é no online, porém o resultado final depende do off line. Vide algumas campanhas com QR Code. Eles têm a pegada digital, porém sua concepção tem o “pezinho” no tradicional.

Poucas agências podem bater no peito e dizer: “- pensamos exclusivamente em redes sociais (digtal, online, mobile etc) e todas nossas ações são exclusivamente pensadas nesse ambiente.”

Penso que é difícil modificar um formato que vêm dando certo há décadas. Os comerciais no Superbowl falam por si só. Porém, ao se propor entrar nesse mundo misterioso das mídias sociais, móbiles, digitais etc é preciso ver com outros olhos e ouvir com outros ouvidos.

Muito se fala do engajamento e da co-criação de conteúdo. Será que isso realmente está acontecendo? Em grande parte parece que as marcas estão mais preocupadas em moderar seus públicos do que envolvê-los no processo criativo/colaborativo.
As marcas precisam entender de uma vez por todas que as pessoas se engajam por acreditarem no que estão fazendo, a qualquer sinal de manipulação ou quebra de confiança esse engajamento é automaticamente reverso.
Antes de tudo é preciso entender as redes sociais e principalmente as pessoas que fazem as redes sociais. A segmentação é cada dia mais difícil e a pluralidade ainda mais crescente.

Pra mim, a chave da questão está em como os planners e os criativos vão concatenar os pensamentos.

Faço esses questionamentos, mas ainda penso que a divisão entre planejamento online e off line ainda está longe de acontecer. Também não acredito ser o único caminho a seguir, pois, analiso que pontos de vista diferentes podem ser questionadores e fortalecem o resultado final, assim como o não vejo mais possibilidade de separação entre criação e planejamento, seja ele estratégico ou de mídia. Ambos devem ser sinérgicos.

Como já é sabido, o caminho é sem volta. Resta descobrir que saberá tirar melhor proveito das pedras. Há um longo caminho a ser percorrido. Então, pé na estrada, pois já tem muita gente andando. Caindo, levantando, mas sempre andando.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

É possível controlar o poder da propagação das redes sociais?

As redes sociais recebem milhares de campanhas todos os dias, de micro a grandes empresas, em todo canto do mundo, algumas muito bem planejadas e outras nem tanto.
Algumas vezes, campanhas são colocadas no ar sem ao menos a agência e o anunciante esperarem por isso, ao mero acaso.

Um exemplo disso é o mais novo meme #luizaqueestanoCanada. Não vou nem me atrever a explicar o caso, pois quase todo mundo já deve ter visto algo a respeito. Ninguém teria saco para ler, nem a Luiza...

O que mais me chama atenção nesses casos é a proporção que a Internet consegue dar pras coisas. O assunto conseguiu minimizar grandes polêmicas da semana, como a grávida de 4 bebês que não está grávida, o possível abuso sexual no BBB, navio que afunda na Itália e mais um monte  de coisas. Aliás, pouca gente citou que o navio naufragado é o mesmo utilizado pelo Corinthians em seu centenário rsrs. Tá explicado. (não podia deixar passar a oportunidade, desculpa).

Bem, voltando. O que me fez escrever esse texto é a reflexão sobre: é possível controlar totalmente as campanhas online? Elas estão sob controle ou podem ficar maior do que esperamos e colocar nosso planejamento abaixo?

Será que o pai da famosa Luiza esperava ter que trazer a menina de volta por conta do comercial?
O que me parece é que é impossível colocar uma campanha no ar, seja ela online ou offline, sem um planejamento muito rigoroso. Os profissionais de propaganda e de marketing precisam fazer criteriosas análises e suposições, a fim de tentar identificar possíveis gaps nas campanhas ou comunicação. E isso pode acontecer com anunciantes de qualquer tamanho.

O pensamento no planejamento deixou de ser algo único do departamento homônimo e passou a ser algo indispensável em todos os processos da agência, desde o briefing até a execução da campanha.
Não há como separar criação do planejamento, não dá pra fazer veicular sem planejar.

Aquela velha história de que, ah, meu filho fica o dia inteiro no Facebook e no Orkut, ele faz as atualizações pra mim, não dá mais (na verdade isso nunca deu certo). Ou você vai arriscar o patrimônio da sua marca desse jeito?
Acredito que ninguém quer correr esse risco. Nem mesmo a Luiza, que já voltou do Canadá.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Planejamento – o que eu quero ser quando crescer em 2012.

O objetivo é cumprir as metas.

Ao final de cada ano muitos planos são feitos, metas são traçadas e as esperanças se renovam (bonito isso, não?).
Pois bem. Nessa época do ano é sempre muito fácil fazer promessas, seja ela profissional ou pessoal. Alguns prometem parar de fumar, de beber, outros prometem mudar de emprego, abrir seu negócio, viajar, estudar e por aí vai. É um sentimento parecido com o que temos no final de semana, onde sempre pensamos: “- ah, na segunda-feira eu faço isso”.

Até aqui, nenhuma novidade. O problema é que isso se repete a cada ano, e na maioria dos casos os planos são sempre os mesmos. Poucos são capazes de planejar o próximo ano, correr atrás da execução e assim, atingir seus objetivos.

Uma vez ouvi uma frase – pena que desconheço o autor – que se tornou quase que um dogma em minha vida: “Quem planeja, às vezes erra; quem não planeja, às vezes acerta”.
É a mais pura verdade.

A frase acima foi recentemente reforçada por uma outra, de autoria do publicitário Duda Mendonça: “Não importa que a meta não seja alcançável. O que importa é que ela exista. Que fique lá, balizando a vida...”. 

É por isso que nesse final de ano vou traçar meus objetivos para 2012. E mais: vou buscá-los com todas as minhas forças. Pode ser que ao final do próximo ano eu tenha que repensar tudo aquilo que era objetivo, porém, não vou deixar de buscá-los.

E você? Já pensou no que vai fazer no próximo ano? Ou melhor, já pensou em como vai fazer isso? Ainda dá tempo. É por isso que estou publicando esse post com antecedência. De lambuja, é um ano bissexto, ou seja, você terá um dia a mais para fazer isso.

Ótimo final de ano e ótimo 2012.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

MAIS DO MESMO

Anúncios clichês não despertam a atenção e apenas são veiculados em lugares diferentes.

Toda as segundas-feiras já está incluso em minha rotina a leitura da revista Veja e do jornal Propmark.
Um veículo nada tem a ver com o outro, mas é muito interessante ver a linha de comunicação publicitária adotada em ambos.
A revista Veja é praticamente um semanário da propaganda brasileira. Nessa semana, nada menos que 108 páginas da revista trazem algum tipo de publicidade, sendo em grande maioria anúncios de página dupla. A revista tem 184 páginas. Porém, o que mais me chamou atenção, é que, das 55 primeiras páginas, em 51 delas há anúncio.
Estarrecido com esses números, logo pensei quais anúncios mais me chamaram a atenção. Sabe quantos eu lembrei de cara? Nenhum. Talvez eu não seja o target da maioria dos produtos ali anunciados.
Fiquei curioso e fui ver o Propmark, editorial voltado inteiramente para o mercado publicitário e seus anunciantes. Nele, a maioria dos anúncios me chamou a atenção. Nesse caso também pode ser que eu esteja inserido entre o target das marcas ali presentes. Destaque para o anúncio da Young para Gustavo Gaion no Caboré, do prêmio Marketing Best, com o case Neymar Jr. e, que ironia, um da revista Veja, “anuncião” de página dupla. Também fiquei intrigado com o anúncio da venda de um Triplex, pela bagatela de 3,3 milhões. Mas isso, deixa pra lá.
Uma vez numa palestra, ouvi a seguinte frase: “Pegue seu layout final. Encubra a logomarca de seu cliente. Veja se aquele anúncio poderia servir pra outro produto ou outra marca. Se sim, jogue-o fora e comece de novo. Ele não é bom.” Não me lembro o nome da palestrante, mas se a maioria dos diretores de criação fizesse isso, não teríamos mais do mesmo. Faça esse teste com os anúncios de automóveis que você vê na Veja.
A publicidade tem feito mais do mesmo. Sempre layout parecidos, com frases similares, com filtros exagerados no Photoshop.
Falta emoção, falta criatividade, falta tesão.
Agora, por que a diferença criativa num veículo de massa e num veículo segmentado?

Estariam os publicitários mais criativos quando devem falar com outros publicitários?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Criatividade - o tamanho faz diferença?

A criatividade é o bem mais valioso que um publicitário possui.  A ideia, proveniente da criatividade, é o que difere as campanhas brilhantes das campanhas aceitáveis ou meia boca. Alguns podem discordar, mas no meu ponto de vista, sem uma boa ideia não existe publicidade vendedora. Um ideia genial pode fazer sucesso, mesmo com uma produção medíocre, uma mídia fraca, com um planejamento confuso. Ela sempre será uma ideia genial

Como curioso que sou, vivo olhando e analisando a criatividade alheia. Uma coisa que me chama muito a atenção é: “- por que a maioria das grandes ideias são de grandes agências. Será que as pequenas não tem criatividade?

Sou um defensor de que as grandes marcas e as grandes agências deveriam buscar atuações mais próximas dos consumidores em mercados regionais. Acredito que, quanto mais próximo você está de seus diferentes mercados, mais fácil fica identificar o comportamento de seus clientes e ainda mais fácil passa ser se comunicar com ele. É isso que a internet e as redes sociais estão proporcionando. Estão aproximando as empresas das pessoas. No mundo offline isso ainda não acontece.

Não consigo acreditar que uma agência de São Paulo, por mais pesquisa que faça, consiga entender tão bem o mercado do interior como as agências nele inseridas.

Porém, a dúvida inicial volta. Como as grandes marcas podem entregar parte da conta a pequenas agências? Como essas agências são vistas por esses anunciantes?

Muitos festivais de publicidade acontecem por todo o mundo. Os ganhadores são praticamente os mesmos, todos os anos. Quantas agências pequenas você conhece que já conquistou um leão em Cannes, ou então um lápis One Show, ou em qualquer grande festival? Juro que tento me lembrar, mas não me vem nada na cabeça. Ficamos restritos a prêmios regionais. Quantos publicitários do interior são premiados pela APP, Meio & Mensagem, etc? Pois é.

Acredito que isso se dá por muitos fatores, mas os que se apresentam mais claros são, falta de bons profissionais nos mercados menores (valorização, vitrine, oportunidades), entendidas de classe que realmente façam algo por esses mercados, e falta de investimentos de grandes anunciantes no interior.
Estou lendo o livro “Ogilvy Inédito”, que apresenta listas, palestras, notas, cartas e outros. Ogilvy foi um publicitário genial, e suas reflexões estimulam nosso senso crítico.
Ele nos mostra muitos caminhos que deveriam ser seguidos, independente do tamanho da agência. Entre esses ensinamentos, na maioria das vezes é tratada a criatividade.
Uma das frases marcantes, retirada de um memorando enviado aos diretores, é: “Quero que todas as nossas agências criem campanhas que sejam melhores que as dos outros em posicionamento, promessa e idéias brilhantes”

Aí faço uma pergunta, onde me incluo nela: “- Será que pensamos em fazer algo melhor que os outros, ou nos contentamos em fazer o nosso e pronto?”
Mas vamos voltar no assunto.

Por que a criatividade das pequenas agências não aparece? Será que o tamanho realmente faz a diferença?
Acredito que muitas pequenas agências têm boas ideias, que podem não ser vistas por não possuírem cliente a altura dessas ideias.

Eugênio Mohallen em entrevista ao programa Reclame diz que uma agência boa com clientes ruins em sua maioria terá campanhas ruins, já uma agência mediana com bons clientes pode fazer boas campanhas.
Concordo com ele. Talvez essa seja uma boa resposta, mas longe de ser a única. Aquele velho chavão publicitário ainda funciona: “quem não é visto não é lembrado”. As vezes sinto que essas respostas são usadas como desculpas.

A criatividade não depende do tamanho da agência, porém, depende da capacidade criativa de seus funcionários e dos clientes atendidos por ela.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Storytelling - uma velha nova ferramenta de comunicação a serviço da publicidade.

Que o modo de fazer publicidade está mudando ninguém duvida. O discurso de que devemos nos reinventar a cada dia fica mais evidente, e o momento é de novas descobertas, tentativas, erros e acertos.
Pelo que acompanho nos veículos publicitários, até mesmo os grandes players estão no processo tentativa/erro.

Estimulados também a buscar novas soluções algumas agências e anunciantes têm dado atenção ao Storytelling e Transmídia.

Storytelling pode ser considerada uma ferramenta de contar histórias, de compartilhar conhecimento.

Já o termo Transmídia está relacionado ao fato de se transportar a informação para diferentes plataformas de comunicação.

Resumindo, é uma forma de contar história em diferentes locais. Essa história pode ser linear, ou trazer diferentes novidades, de acordo com a plataforma.

Se olharmos o conceito das palavras, veremos que nenhuma delas é nova. Pelo contrário. O ato de contar história vem desde os primórdios da comunicação. A utilização de diferentes plataformas também é utilizada há muito tempo, porém, se intensificou com as múltiplas plataformas digitais que conhecemos agora.

A junção dessas duas ferramentas possibilitada a agências e marcas entrar num mundo totalmente novo. Possibilita que as marcas criem histórias e levem-nas para seus públicos nos locais onde eles estão. A público passa a fazer parte daquela ação, dando-a maior atenção do que uma simples peça publicitária ou até mesmo uma campanha.
Contar histórias é envolver o emocional das pessoas, prender a atenção, causar ansiedade para novos acontecimentos.
Isso certamente é o sonho dos comunicadores: falar de forma única com seu público, no lugar certo, quando ele está disposto a receber sua comunicação. As pessoas passam a aceitar sua comunicação, se sentem parte dela e cultuam sua marca.

A publicidade, por melhor que seja, não consegue envolver tantas reações.

O segredo é: unir a publicidade e histórias, contadas em diferentes formatos.
A era da comunicação sempre existiu, o que está diferente é a forma com que isso acontece. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A Publicidade está ficando chata, culpa nossa!

Como publicitário e entusiasta das boas idéias, estou muito triste e preocupado com os rumos que a propaganda vem tomando.
A cada dia que passa ela está ficando mais chata, mais pragmática e politicamente correta.
Está perdendo a essência. Se fizer um comparativo com o futebol, a publicidade está parecendo a seleção do Dunga. Tudo muito focado no resultado e nada de emoção, entretenimento, diversão.
Isso está acontecendo muito por culpa nossa. Sim, amigo, único leitor. Somos os principais responsáveis por isso. Tudo nos surpreende, julgamos tudo ofensivo. Hoje em dia tudo é Bullying, Preconceito, Homofobia, blá blá blá. Não se pode fazer nada engraçado que pronto, lá vem os doutores da sabedoria politicamente chata pra cacete arrumar algum pretexto para criticar. Alguns até encontram novas categorias de ofensa. É um fenômeno.
Exemplo disso são algumas denúncias que o CONAR têm recebido. Desculpe o palavrão, mas “puta que o pariu”, o que têm demais a campanha da Hope com a Gisele? Recebeu muitas críticas, foi denunciado por diversas ONG’s que não servem pra nada, etc.
Não pode isso, não pode aquilo, isso degrada as mulheres, os negros, os gays, as crianças, os idosos.  Ah, que chatice.
Com isso as campanhas passam a ser analisada com outros olhos, os pelos nos ovos aparecem e tudo fica sem graça.
Desculpem o desabafo, mas quero rir com as publicidades, sem peso na consciência.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Alguns erros que podem ser acertos. Ou erros mesmo!



Estava eu essa semana me cobrando de uma atualização no blog, mesmo sabendo que apenas eu e mais umas 2 pessoas no máximo, lêem. Matutando um tema, sem ideias, me deparo com uma notícia que me caiu do céu e me deu esse tema.

O título da notícia é:
Pepsi subestima promoção que dá produto em dobro e passa vexame
Campanha deste fim de semana oferecia produto em dobro, mas, sem estoque, varejistas chegam a dar Coca extra para acalmar clientes


http://economia.ig.com.br/empresas/pepsi+subestima+promocao+que+da+produto+em+dobro+e+passa+vexame/n1597203883863.html

Veja o vídeo da campanha:
http://www.youtube.com/watch?v=OEQn0T5Yal0


Como estou terminando o MBA em Marketing, logo fui analisar todas as variáveis possíveis, de acordo com os ensinamentos dos mestres rs.

Prontamente me questionei: -“Caramba, como uma marca como a Pepsi pode ter dado uma vaza dessas?”
-“Com diretores ganhando centena de milhares de reais por ano, como pode subestimar a campanha publicitária e não ter estoque para suprir a demanda?”


Li alguns comentários nas diversas redes sociais a qual faço parte, e pude constatar que, a grande maioria acusa a Pepsi de erro gravíssimo.

Bem, veja a frase: “Em cada supermercado, o Pão de Açúcar procurou uma forma de compensar os clientes. Eles chegaram a distribuir refrigerante da rival Coca-Cola em dobro. “

Esse parágrafo do texto me chamou a atenção, e pensei: “Espera aí, será que isso é um erro de logística ou a Pepsi fez isso, como diria minha avó, de caso pensado”?

A Pepsi recentemente lançou uma grandiosa campanha publicitária fazendo trocadilho com a tradicional frase nos Ponto de Venda e Pontos de Consumo: “Não tem Coca, pode ser Pepsi?” (Aliás, muito corajosa a campanha. Assumir dessa forma a inferioridade perante a concorrência é muito difícil)

http://www.youtube.com/watch?v=i48n_mT43r0

Com o “erro” de logística da empresa, a frase se inverteu, e em diversos PDVs espalhados por todo o Brasil a pergunta foi “Não tem Pepsi, pode ser Coca Cola?”

Essa ação está mais para uma ousada estratégia de marketing do que um erro. Quase uma ação de guerrilha.

Se a estratégia foi essa mesmo, se foi um erro ou não, isso eu não sei, mas que essa teoria da conspiração que pensei podia ser verdade, a isso podia.

A campanha também serviu para mostrar que o poder que as mídias de massa ainda possuem. Dificilmente uma campanha como essa na internet ou nas redes sociais geraria todo esse buzz.

Se foi um erro, prejuízo para a marca. Se foi um acerto, parabéns, estratégia brilhante, que se um mero publicitário como eu se tornasse diretor de marketing, certamente iria propor.

Como não tenho nada com isso mesmo, tira minhas conclusões solitárias e aprendo um pouquinho com isso.
A briga é grande de mais. Vamos aguardar o desfecho.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os ilusionistas da internet!


Há tempo, magos, gurus, papas e outros termos são usados para descrever fodásticos autores de teorias mirabolantes sobre marketing. Agora isso está acontecendo com a internet e as redes sociais. Basta o cara sair com uma visão nova sobre algum tema velho que é tratado como "o cara". 

Isso tem acontecido e muito com a publicidade digital, principalmente nessas duas plataformas citadas acima. Quantas pessoas que se auto-intitulam experts em facebook, adwords, twitter, SEO... você conhece?
Eu conheço pelo menos umas 15.

O que acho mais engraçado, ou melhor, estranho, é que muito do que se pregava a uns 5 ou 6 anos atrás de para onde as agências deviam ir, simplesmente, como num passe de mágica, foi abafado. Como um truque de ilusionismo os executivos deixaram de analisar o bendito do ROI, outro termo tão eloquente, dito em praticamente todas as apresentações de campanha.

Tenho percebido que a apresentação ROI passou a ser ilusória.
Como questionamento vou usar a tão viralizada campanha dos "Pôneis Malditos", da Nissan.  
Essa campanha ganhou um destaque absurdo nas timelines publicitárias nas últimas semanas. Era pôneis malditos para todos os lados. Diversas paródias foram criadas utilizando o meigo jingle. 
Como não tenho acesso aos dados da campanha, vou fazer minha análise baseada no que pude constatar. Nada científico, apenas "curiosístico".

Fiquei curioso com o ROI que essa campanha iria gerar para a marca e para a agência.

Segundos dados divulgados na rede, a campanha alcançou índices consideráveis de visualização, de retuítes, de links, e muito mais. Apenas o vídeo oficial atingiu mais de 11 milhões de visualizações no Youtube. Um tremendo sucesso, certo? 
Não sei. Depende dos KPIs analisados.

Resolvi fazer uma pesquisa própria, com potenciais compradores da picape da Nissan. Tive uma surpresa com o resultado. Após 2 semanas de tremendo bafafá na internet, perguntei para alguns amigos sobre a campanha e... mais de 65% não tinham visto ou não sabiam do que se tratava a história dos pôneis malditos.
Pensei: "Ué, com todo mundo comentando a campanha, meu Twitter bombando, como pode esses caras não terem visto isso? Ô povo desatualizado das redes sociais"
Opa, pera aí! Será mesmo que o público que tem bala na agulha pra investir R$108 mil, em média, numa Frontier, foi atingido pela campanha? 
Fiquei na dúvida.

Quando vejo apresentações de cases nas diversas palestras, seminários, etc que participo, que o ROI é sempre apresentado através de RTs, clicks, page views, unique visitors, blá blá blá mas não vejo efetivamente o retorno gerado, como, aumento de vendas, aumento de interesse,  market share, etc. 

Não estou questionando o que foi gerado como share of mind, CLTV, etc. Penso apenas na eficácia da campanha para o target do produto.

Os clientes, com razão, têm uma tremenda preocupação de onde seu dinheirinho vai ser investido, porém, se contentam com dados superficiais de retorno sobre o investimento.
Talvez isso aconteça, pois, sempre foi difícil mensurar o que dá ou não resultado. Acostumamos. A zona de conformo é mais segura. Quanto mais ferramentas de mensuração, pior. Fica mais difícil de analisar.
Portanto, pra quem se contenta com isso, bora fazer um abra cadabra e bola pra frente.