quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A Apple sabe gerar buzz. Os atentos aproveitam-se disso.

Na última semana o burburinho da internet girou em torno dos lançamentos da Apple.

Como sempre os defensores da maçã ficaram em êxtase e os críticos desceram a lenha nos novos Iphones e no wearable Apple Watch (ou Iwatch). Se você espera que eu faça uma análise sobre esses produtos pode desistir da leitura por aqui.

A questão não está no lançamento e nem na tecnologia, mas sim no buzz que gira em torno desses eventos. Pra ser bem sincero não achei os produtos nada de mais (assim como os críticos). Tudo bem parecido com o que outras marcas têm feito no mercado, nos últimos anos, aliás.

Mas uma coisa é certa, tenho que concordar que a Apple sabe fazer barulho. Lançamentos bem mais significativos não receberam nem a metade da audiência que esse evento causou na rede.  Tudo bem, não é de hoje que isso acontece, mas justamente por isso que merece atenção.

Mesmo sem o brilho de outrora, a marca americana consegue gerar expectativa, emoção e alvoroço, mesmo que a maioria das informações já tenham sido divulgadas na rede, dias (e até semanas) antes do lançamento oficial.

As mídias sociais são um universo paralelo, quase que um second life. Mesmo sem entender bulhufas as pessoas já tecem comentários, fazem avaliações e já tiram suas conclusões sobre o produto, que nem mesmo chegou às prateleiras.

Podcasts sobre o assunto já estão disponíveis com títulos como, “... e o futuro dos...”. Como podemos fazer uma análise sobre o impacto de determinado produto na sociedade mesmo sem mesmo produto ter sido testado?

A avaliação disso tudo é a necessidade latente de ser o primeiro a falar determinado assunto, em se posicionar como suposto especialista. Esse é o objetivo. Tentar transmitir uma imagem de referência. E é isso que a Apple faz, mesmo lançando produtos que não oferecem nada mais do que outros já fizerem, só que com convicção.



Sorte de Apple que sabe usar isso a seu favor. Sorte dos atentos, que aproveitam a deixa para ganhar espaço, mesmo sem entender muito.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Rádio respira por aparelhos, não morreu. Há uma grande esperança em sua melhora.

Há um tempo, participando de uma mesa de bate-papos na Universidade do Sagrado Coração (USC) através de um projeto da APP, fui questionado sobre a importância do meio rádio, se ainda funcionava e se ele ainda tinha espaço nos investimento de comunicação dos clientes. A pergunta veio de uma professora, que possivelmente ministrava alguma matéria relacionada.

Respondi a pergunta com minhas considerações, mas não percebi a importância e a pertinência da mesma. Mas aquilo ficou mexeu comigo. Apenas alguns dias depois consegui raciocinar sobre a pergunta.

Após esse raciocínio percebi a complexidade da resposta.

Cheguei à seguinte conclusão: não sei exatamente a resposta, se é que ela permite uma resposta exata.

Pois bem, na minha humilde conclusão, cheguei a alguns pontos que podem impactar esse questionamento.
Ao contrário do que muitos poderiam pensar de cara, que o que contribui para que isso acontecesse foi o surgimento da internet, penso que esse declínio do rádio vem muito antes disso. O grande culpado pelo declínio são as próprias emissoras de rádio. É lógico que a TV, internet, celulares etc contribuiu, mas as emissoras também.

Lembro-me dos meus primeiros meses na faculdade de publicidade quando assisti a uma palestra do saudoso Zé Rodrix. Quando apresentou técnicas e paixão, com lendários jingles. Ficou marcado o famoso jingle da Vasp, aquele do coração batendo no ritmo da canção. Achei aquilo genial, magnífico.

Na minha curiosidade eterna fui procurar outras referências, e me encantei com muitos spots e jingles de um passado próximo. Era uma propaganda que me despertava o interesse. Parava o que estivesse fazendo para simplesmente escutar o comercial. Com certeza essa palestra contribui para minha perseverança nos estudos, mesmo não sendo da área de criação (eu já sabia disso desde aquela época).

De uns tempos pra cá, sinceramente, me lembro de pouquíssimos jingles ou comerciais que me chamam a atenção. Prioriza-se os custos. As próprias emissoras gravam os comerciais. Manda-se o roteiro, e aquele mesmo locutor grava seu spot e de mais outros 95 concorrentes. Perdeu-se o fator diferenciação. Sem contar que isso vem minando a criatividade e tesão nesse tipo de mídia.

 Fico imaginando, fora dos grandes centros é claro, um atendimento chegando para o cliente e falando, olha, teremos um custo de R$x mil para criação do seu jingle, pois vamos contratar o estúdio tal, e o fulano de tal para gravar.

A resposta é sempre a mesma: tudo isso? A própria rádio não pode gravar?

Com essa prática, o meio vai perdendo força e com isso, investimentos.

Não dá para reclamar. Assim como as gráficas e jornais prejudicavam o mercado desenvolvendo layout, as rádios também o fazem. Sem criatividade a atenção do ouvinte é quase que nula para os comerciais, isso quando ele não muda de emissora, ou pior, quando ouve diretamente seus mp3s.
Mais esse cenário pode mudar. E espero que isso aconteça.

Recentemente a AlmapBBDO de Marcelo Serpa e José Luiz Madeira foi escolhida a agência responsável para revitalizar o meio rádio. Pela primeira vez na história tantas emissoras concorrentes se unem em um projeto para tentar tirar o status de primo pobre do meio.

Já ouvi muito criativo reclamando que a agência não oferece estrutura para “viajar”, para criar. Sempre pergunto: “- Vocês criam roteiros para spot de rádio?” Sempre a resposta é sim. Aí fico pensando: “quer algo mais fácil do que um modesto spot para você treinar sua criatividade?” O rádio permite isso, e o melhor, com um custo infinitamente menor do que um comercial de TV. O rádio é um meio propício para essa experimentação. Então: use, abuse e seja criativo.


Só me resta torcer.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Luto: anunciaram o falecimento da publicidade!

Em recentes eventos, principalmente promovidos fora do país, alguns especialistas, entre eles, Martin Sorrel, CEO do grupo WPP e Dave Lurh, CEO da Wieden + Kennedy, foram categóricos em decretar: ”A publicidade morreu”. Pra quem ficar curioso, a revista Próxxima dessa semana (27/9)  traz uma matéria sobre o assunto.

Sempre com o discurso de que a internet e as redes sociais digitais estão mudando o comportamento do consumidor. Disso não discordo, realmente plataformas como Facebook, Netflix, Twitter e outros tantos, mudaram a forma como as pessoas interagem entre si e com os conteúdos gerados e publicados. Porém, afirmar que a publicidade morreu, na minha humilde visão, é um pouco demais. Tenho minhas dúvidas quando alguém tenta me convencer de que a publicidade mudará totalmente a médio e longo prazo, quanto mais decretar sua morte.

Posso sofrer de miopia de marketing, como os anciões do mundo coorporativo adoram falar, mas sou enfático em acreditar: “A publicidade passará por transformações, como vêm passando desde sua ascensão, porém, não acredito totalmente em sua morte. Que já está morta então? Não dá.

O simples fato de nem metade da população no Brasil ter acesso a internet já seriam um bom argumento pra começar a discussão. Como posso pensar em personalização de conteúdo, big data e muitos outros termos marketeiros se uma boa parte da população não tem acesso à energia elétrica?

Os formatos apresentados por muitos CEO, principalmente do mercado de tecnologia, podem até ser válidos nos EUA, em alguns países da Ásia e outros da Europa, mas nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, o formato tradicional de publicidade e propaganda se manterá por muitos e muitos anos. As agências vão incorporar novas ferramentas, novos cargos serão criados, novos formatos surgirão, mas nada a de sepultar alguns formatos básicos de publicidade.

Assim como o rádio não morreu, o jornal não morreu, nem mesmo a listinha telefônica impressa morreu, não consigo assimilar que tudo dará lugar a tecnologia e a internet.

Ainda há muitas barreiras pra isso começar a se tornar realidade, algumas delas: a TV ainda domina o mercado de comunicação, no Brasil e no mundo (vide Super Bowl), a grande maioria das linhas telefônicas celulares no Brasil são pré-pagas, com acesso a internet lento. A falta de acesso as tecnologias ainda é um abismo na maior parte dos municípios do país, entre muitos outros.

Eu apostaria que o que acontecer é que, cada vez mais a comunicação vai ser segmentada, serão criados nichos, agrupamentos. O formato de comunicação vai depender dessas distribuições, independente se é publicidade, propaganda, branded content, pr, etc

Pra mim, a publicidade continua vivinha da Silva. Cada dia mais instigante e desafiadora.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O Mundo encantado das Pesquisas!

Já cansei de começar textos com frases do tipo, “com avanço da internet”, “com ascensão da tecnologia” e blá blá blá, mas não tem jeito, o assunto é recorrente. Desculpe-me.

Sendo assim, vamos lá. O assunto hoje é pesquisa.

Com a crescente penetração da internet e das redes sociais digitais, aliados as possibilidades de mensuração, diariamente surgem novas pesquisas. Pesquisa de tudo quanto é tipo e assunto.
Recentemente Lula Vieira escreveu uma coluna no jornal PropMark, intitulada “Puros Chutes” a respeito das pesquisas. Concordo em tudo com o que li. Ele dizia que muitas pesquisas publicadas e compartilhadas hoje não tem o menor embasamento. Aliás, esse assunto rendeu novas citações num outro texto. Se não leu, recomendo. (http://propmark.digitalpages.com.br/ edição do dia 27/05).

Antes o que era de domínio dos grandes players, agora esta na mão de todos. O termo “Big Data” faz profissionais de marketing suspirar. O volume de informações geradas e compartilhadas diariamente é incrível. Tudo o que se gastava meses e meses para se descobrir ha alguns anos atrás, agora é gerado em apenas alguns segundos.

Mas aí vem o meu questionamento. Até que ponto as pesquisas são confiáveis?  Pra que serve tudo isso?

- Se eu tiver a sorte de alguém estar lendo isso, posso ter a sorte de alguém responder. Prevejo algumas das respostas:
“ – Monitorar o comportamento do consumidor”
“ – Captar insights”
“ – identificar públicos”
“ – Realizar testes” etc

Tudo isso é verdade, mas a realidade é que pouca gente descobriu efetivamente como usar tudo isso.
Alguns espertinhos usam de uma forma muito interessante.
Permita-me falar de “causo”: Outro dia estava eu em um evento de marketing digital (cheio de especialistas da Xoxomidia e da Internet), e um dos palestrantes fez uma pesquisa com os presentes. A pergunta foi a seguinte:

 – Quem daqui usa o celular diariamente? Quase que a totalidade levantou o braço, confirmando as expectativas do nobre palestrante. Nova pergunta: - E quem daqui se conectada a internet quase todos os dias? Novamente quase todos os presentes orgulhosamente afirmaram positivamente.

- Estão vendo, concluiu ele. Não dá pra negar que o marketing digital é fundamental para nossos negócios. Todos hoje em dia usam a internet. Sua marca não pode ficar de fora.
Não bastasse a brilhante conclusão, um especialista ao meu lado solta: “- E tem muita gente que ignora isso”.

Sinceramente, nessa hora minha vontade foi questionar o ilustre palestrante (nem tive vontade de fazer com o meu amigo ao lado) com a seguinte pergunta: “- E se essa mesma pesquisa fosse feita num outro local, tipo um encontro da terceira idade, ou numa comunidade muito carente, e meia dúzia de gatos pingados levantasse a mão. Poderia eu concluir que o marketing digital não vale a pena?”

Lógico que não, certo?

Pois bem, contei o “causo” apenas para voltar fazer uma alusão aos tipos de pesquisa que são jogadas todos os dias na internet. É lógico que num evento de marketing digital, todos afirmariam que usam o celular e a internet. Até aqueles que não fazem isso com frequência não hesitariam em levantar as mãos. Logo, essa pesquisa não serve para nada, a não ser informar pessoas que vão a eventos de marketing digital que todos usam a internet e o celular. 8-/

O ponto é que, nos dias de hoje, muitos sentem necessidade de comparar tudo, o que, em muitos casos, gera dados que não revelam uma realidade. Ex. “Assinantes de TV a cabo superam o número de assinantes de revistas”.  Ok, mas qual a lógica dessa comparação? São produtos concorrentes? Por que eu assinei uma TV a cabo deixarei de assinar uma revista?

O problema é que muitos se baseiam nessas pesquisas, e pior, vendem isso para seus clientes. Assim vai se mantendo a arte de gerar baboseira e publicá-las na internet. Azar de quem acredita.


Segundo minha pesquisa, se você chegou aqui, posso considerar que achou esse texto interessante, mesmo sendo apenas desabafos de um publicitário sem nenhum leão pra contar história. 

Até a próxima.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mercedes – Aaaaa Lelek Lek Lek Lek


Hoje ao abrir a internet e as mídias sociais me deparo com inúmeros posts e discussões sobre um tal de comercial do Novo Classe A da Mercedes Bens. Fiquei curioso e decidi assistir, pra ver do que se tratava (veja você também - http://www.youtube.com/watch?v=skHkv7kMAv8&feature=youtu.be ).

A sequência de sentimentos foi essa:

-  “que merda essa”, mas isso durou pouco.
Logo veio: “- como a Mercedes aprovou isso?” Também durou pouco.
Pensei: “- Espera. Vamos analisar com calma onde eles querem chegar”.  Estou pensando até agora. A única coisa que consegui pensar foi que a Mercedes quebrou um paradigma.

Desde a faculdade de PP até o MBA em Marketing ouvi a mesma coisa: “Segmentação”. Com a ascensão das mídias sociais, então. Assunto recorrente em todas as conversas. Parecia até um regra nova do “marketês”.

Aí vem esse comercial, que traz um funk como trilha, funk esse tradicionalmente estereotipado como música de má qualidade voltada para classes baixas.
Mercedes Classe A = Funk! Isso combina? Aparentemente não. E a tal da segmentação? Onde isso quer chegar? Ainda não sei.

Enquanto as discussões prosseguem a única coisa que me vem à cabeça é que a montadora conseguiu quebrar o paradigma que música popular não pode ser usada em propaganda, principalmente voltada para classes altas. Ainda mais se tratando da alemã Mercedes Benz,  ícone do luxo e sofisticação.

É esperar pra ver o resultado disso tudo. Uma coisa é certa: o atendimento que vendeu essa campanha foi “fodão” hein.

Se montadora vai ganhar a simpatia dos clientes ou a admiração dos que gostariam, mas nunca vão poder comprar um caro da marca, só o tempo dirá.
Mas que serviu pra causar um buzz, ah, isso serviu.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Paradigmas Publicitários - Horário e Produtividade


Recentemente tenho acompanhado algumas discussões sobre os horários dos publicitários. Em geral, a discussão envolve quase sempre os profissionais de criação. Não que os outros departamentos não façam horários alternativos, porém, a questão de virar noite, procrastinar jobs etc está diretamente ligada ao mítico departamento de criação.

Apesar de ter uma opinião formada sobre o assunto, adoro acompanhar os argumentos que cercam o debate, de ambas as partes. Só lamento por não ter muito participação de clientes. Acredito que contribuiriam, e muito, com o olhar de quem está fora do processo.
Pizza, publicidade, café e horários malucos estão totalmente ligados. Criou-se um paradigma: “Não se pode considerar publicitário quem não faz uso de todos esses elementos”. Muitas vezes isso acontece tudo ao mesmo tempo.

Ah, tem também aquela história de que publicitário tem que ser moderninho, andar largado, ser hipster e tudo mais.

Pois bem. Sou planner, pelo menos me acho, e tenho uma visão um pouco diferente disso tudo.
A questão de ficar até mais tarde, não cumprir horário etc está se tornando uma regra nas agências. O fato de alguém ir embora no horário causa estranheza e, às vezes, até soa como falta de comprometimento. Mas me convença: Se eu posso focar no trabalho e entregar tudo no tempo programado, por que diabos tenho que ficar rodando noite?

Tenho até um pensamento que, como planner, tenho que fazer valer o departamento escolhido e me planejar. Se o planner não consegue se planejar, imagino como ele pensa nas campanhas dos clientes. Não digo que não posso, uma vez ou outra por necessidade, ficar até mais tarde. Isso faz parte do jogo, porém a exceção não pode virar regra, o que aconteceu com a criação.

Com relação a horários alternativos, tipo, o cara chega na agência a hora que ele quiser, também divirjo da maioria. Não vejo a criação como processo isolado, e sim, como uma composição. As criações devem ter um olhar de planejamento, devem ser acompanhadas pelo atendimento e devem atender os objetivos da mídia. Como pode o criativo fazer a peça às 4 da manhã, e o atendimento ver somente às 9h? e se houver necessidades de mudança?  

Toda agência deve trabalhar como um time. Pode ser que nas grandes agências o diretor de criação assuma a bronca do resto da equipe e faça essa ponte, porém, essa realidade está longe do nosso modesto interior.
Analiso também, que ninguém consiga produzir bem após 14, 16, 20h de trabalho. O cara morrendo de sono não pode ter um insight legal, um acabamento bonito. Não dá.

Uns culpam os clientes, outros culpam a criatividade, outros a agência, outros o sistema. A questão é se acharmos que tudo é certo, que a profissão exige isso, ficaremos escravos, não conseguiremos ampliar nosso repertório, limitaremos nossa visão. Como poderemos alimentar nosso bem mais precioso, a tal da criatividade?

Estamos num período mágico para as agências. O final do ano é sempre de um volume maior de trampo, de valorização e correria total. Se alguém conseguir me mostrar que preciso pegar mais leve e ficar até tarde, ou apontar algum job que não entreguei talvez eu tope em ficar até as 19h. Fora isso, continuo pegando minha mochila e meu fone de ouvido e vazando as 18h30, religiosamente.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Plágio Digital – é possível controlar?




É indiscutível o papel da internet na nova sociedade e toda a contribuição que ela dá no desenvolvimento pessoal e social das pessoas. As possibilidades infinitas de conexões pessoais proporcionam algo que até bem pouco tempo atrás nem imaginávamos. Quando e como você poderia trocar ideia com pessoas que até então você apenas admirava pela TV? A internet te dá isso.

Outro ponto incrível é a facilidade de encontrar qualquer coisa na web, o mantra “Se não está no Google é porque não existe” é cada dia mais verdadeiro.

Todas essas vantagens também fazem crescer algo preocupante: o plágio digital.

Segundo pesquisa do plagtracker.com até 2014 mais da metade do conteúdo online será plágio.
Essa discussão vem ganhando força nos últimos anos, e principalmente nos últimos meses com o crescimento no número de usuários nas redes sociais.

A bola da vez é a versão abrasileirada do “Gangnan Style”, do sul-coreano Psy, feita pelo Latino. Aliás, o grande Latino é mestre em aproveitar canções de sucesso em outros países para suas versões locais, casos de “Vem Dançar Kuduro”, Festa no Apê, entre outras. Nem vou entrar no mérito das escolhas do cantor. A análise aqui é outra.

Outros casos na internet recentes são relacionados a piadas, vide o caso da Gina Indelicada. As piadas postadas na Fan Page há muito já rolavam na rede. Com a facilidade da propagação da informação, muita gente se aproveita de conteúdos alheios e se autopromove, sem ao menos citar os autores desses conteúdos. Em muitos casos as pessoas nem sabem de onde surgiram, mas usam e replicam o tempo todo. São as facilidades dos Likes, RT’s, Compartilhar etc

Até bem pouco tempo atrás os únicos a ficarem com cabelos em pé eram os professores, frente à avalanche de trabalhos acadêmicos plagiados. Agora, todo mundo tem essa preocupação.

Minha pergunta e tema desse post é: - “É possível controlar o plágio digital”? 
Como não encontrei nenhum post já feito sobre essa afirmação, não vou poder plagiar, ainda, essa resposta. Brincadeira.

 Sendo assim, minha opinião é: não é possível controlar totalmente.

Sinto-me seguro em afirmar isso baseado no simples fato da pirataria. Se para esses casos, que contam com legislação clara de Copyright, não é possível controlar, como vamos fazer isso com as cópias online de conteúdo?

A rapidez e alcance da internet espalham conteúdos e fica quase impossível saber de onde saiu. Recentemente Renato Aragão, nosso grande Didi Mocó Sonrisal Novalgina (...), foi duramente criticado por um filme que ele nem sequer cogitava fazer. Como há muita coisa disponível, as pessoas estão perdendo a atenção. Nem sequer foram checar a veracidade da notícia e já saíram metendo a boca. Depois fica todo mundo com cara de “menino cagado” (desculpe o termo).

A principal dúvida é: “Quem é o autor do conteúdo?”.
Outro exemplo: Luis Fernando Verissimo disse uma vez que mais da metade das citações em seu nome na internet são falsas.


Voltando ao tema principal, uma coisa é certa: “É necessário desenvolver ferramentas e políticas de uso na web para que o plágio seja evitado”.

Um primeiro e simples passo seria as pessoas citarem as fontes, simples assim.

Os próprios usuários devem fazer com que os conteúdos e direitos (de imagem, intelectuais, criativos e por aí vai) sejam respeitados. Não dá pra achar que a criação de leis, regras etc vai acabar, nem ao menos diminuir, essa prática. Deve partir dos próprios usuários. Algo como consciência e caráter. Ao você tem, ou não tem. Não existe meio termo.

Se você pode plagiar, corre o risco de ser plagiado. Depois não vai reclamar.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Olimpíadas - cade sua marca?


Os jogos olímpicos de Londres terminaram e com isso as atenções são voltadas para o nosso Brasil. Faltam apenas 4 anos para sediarmos o mais importante evento esportivo do planeta.
Com isso grandes empresas começam a colocar em prática suas estratégias de visibilidade para o período. Umas compram cotas de patrocínios, outras licenciamento de marca e outras guerrilha. Poucas realmente ignoram.

Isso aconteceu, é claro, há 4 anos atrás, após as olimpíadas de Pequim, na China.

Muitas marcas investiram milhões nessa associação, porém me pergunto, quais delas realmente aproveitaram bem esse investimento? Pense rápido e responda: “- Quais marcas patrocinadoras você se lembra? E quais suas ações?”

Confesso que não fui um espectador assíduo dos jogos, pelo horário, acompanhei a maior parte das disputas pela internet e pelas redes sociais. Entre as poucas ações que me chamaram a atenção destaco o carrinho que ajudava nas provas de atletismo, trazendo de volta martelo, dardos e outros para os arremessadores.

     Foto: site Terra.com.br

Uma ação simples, mas que chamou roubou a atenção e foi destaque em toda mídia que cobria as disputas. Na minha visão, medalha de Ouro para o Mini.

Entre os patrocinadores oficiais estavam Heineken, Adidas, McDonald’s, Sansung, Coca-Cola, Visa, Panasonic, GE, P&G entre outros.

Considero-me público-alvo da maioria das marcas citadas acima, porém, não fui impactado e não me recordo de ações de destaque de nenhuma delas.

Assim como a maioria das modalidades, parece-me que o marketing esportivo ainda não consegue aproveitar o potencial dos jogos. As ações não surpreendem, não geram engajamento e acredito que poucas efetivamente trazem retorno.  Marcas como Nike e Burger King, que não patrocinavam nada tiveram destaque na mídia com ações de emboscada, enquanto que os oficiais se perderam entre tantos.

Quem quiser aproveitar os próximos eventos no Brasil, precisa ter novas ideias, aproveitar a magia do evento, engajar as pessoas, se aproximar do consumidor. Não dá pra achar que o simples fato de comprar uma cota vai ser suficiente.

A oportunidade existe. Basta saber aproveitar.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ideia sem grana é só ideia. Sem cliente grande também é só ideia.





Com o recém encerramento do Cannes Lions, mais uma vez fiquei com a certeza de que grandes ideias sem dinheiro são apenas ideias. Porém, dessa vez tive uma outra sensação adicional: também é necessário ter clientes grandes por traz da campanha. De novo, só a ideia, muitas vezes, não é suficiente para ganhar reconhecimento e prêmios.

Muitas campanhas que levaram Leões (e até Grand Prix) não eram tão novas assim e não tinham ideias tão inovadoras como foram vendidas pelo tradicional festival.

Algumas campanhas, acredito que levaram prêmios pelo fato de serem produzidas por grandes agências para grandes anunciantes. Nada contra as agências que ganharam esses prêmios e tiveram os insights, aliás, sorte e competência delas de terem clientes que acreditam em suas criações.
Falo isso, pois, peças brilhantes de agências menores e clientes menores, ficam de fora da premiação ou levam Leões de menor expressão (se é que dá pra falar isso). Em alguns casos nem chegam nem próximo ao Palais.

Então, como fazer quando se atende contas pequenas, em mercados pequenos?

Toda vez que acredito ter tido uma “ideia foda” logo penso nas impossibilitações e logo a guardo.  Talvez esse seja meu principal defeito profissional atual. Vivo lutando contra esse bloqueio natural.
Mas o pior não é ter ideias e não realizá-las, o pior é ver algo parecido, e anteriormente desacreditado rapidamente, ganhando prêmios e sendo reconhecido.

No auge da minha frustração pensei: “Vou vender minhas ideias que acredito que ganhariam algo em alguns festivais publicitários. Somente assim poderia vê-las concretizadas”. É claro que pra isso alguém grande precisaria acreditar numa Idea de um cara de planejamento do interior, que se acha criativo.

Acredito seriamente que algumas teriam chances reais. “Por mais que me falem que poderia não dar certo, prefiro acreditar que dariam para não me tornar um acomodado previsível”. No dia em que isso acontecer terei perdido a essência que fascina na publicidade.

Essa é a vida (e as frustrações corriqueiras) de um simples Planner do interior. E não me falem que eu deveria ir pros grandes centros e buscar as oportunidades, que prefiro pensar que um dia, mesmo no interior, vou conseguir criar essa oportunidade.

Doce ilusão? Talvez. Mesmo assim continuarei tentando e tendo ideias.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A arte de se fazer entender


As redes sociais permitem uma gama infinita de possibilidades de propagação de informação. E é isso que muitas marcas estão fazendo. Mesmo que não haja presença Web, e às vezes até um planejamento, conteúdos são postados periodicamente.
Isso é muito legal, pois aproximam as marcas do target e geram engajamento.

O que me questiono é quantos estão fazendo isso bem feito.  Essa dúvida é recorrente, pois vejo muita gente falando, falando, falando e nada de ativação.

Uma definição interessante (roubada do twitter de alguém) é: “O twitter é igual a um hospício. Um monte de gente falando sozinho, de vez em quando alguém responde.”

Na verdade essa definição poderia ser usada pra vários perfis de marcas, que literalmente falam sozinhas. Se trocar a palavra “Twitter” por qualquer outra rede social também funciona.

O fato é que as marcas querem falar, mas não estudam o formato de fazer isso. Antes de “falar” é necessário obedecer regrinhas básicas, como, identificar seu target, segmentar, ajustar a linguagem para seu perfil, ouvir etc. Isso não é novidade pra ninguém, ou é?

Também é preciso levar em conta a cultura onde seu target está inserido, seu modo de pensar e agir, seu comportamento e principalmente como querem ser vistos pelos seus amigos.
Falar a língua do target é se fazer entender, é dialogar, é gerar identidade.

“Não adianta falar quando o receptor da mensagem não está pronto para ouvir”.

A maior parte tem usado as redes sociais como broadcast, eles falam e não se importam se você entende.

Outro ponto ignorado é o que as pessoas sentem ao compartilhar um conteúdo gerado pela marca. Na hora de gerar conteúdo, não se deve pensar no que você quer mostrar agora. Pense no compartilhamento, ou seja, o que as pessoas vão querer dizer ao compartilhar aquele conteúdo.

As marcas tendem a falar com fãs e mídia, porém ignoram públicos importantes, como, influenciadores, público-interno, fornecedores e parceiros. Como podemos buscar novos públicos antes de criar comunicação com quem já quer nos ouvir?  Torne-os seu público embaixador da sua marca.

Portanto: qualifique, crie conteúdo segmentado, ative e monitore.

“Não importa o que você diz, importa o que as pessoas entendem.”