terça-feira, 3 de julho de 2012

Ideia sem grana é só ideia. Sem cliente grande também é só ideia.





Com o recém encerramento do Cannes Lions, mais uma vez fiquei com a certeza de que grandes ideias sem dinheiro são apenas ideias. Porém, dessa vez tive uma outra sensação adicional: também é necessário ter clientes grandes por traz da campanha. De novo, só a ideia, muitas vezes, não é suficiente para ganhar reconhecimento e prêmios.

Muitas campanhas que levaram Leões (e até Grand Prix) não eram tão novas assim e não tinham ideias tão inovadoras como foram vendidas pelo tradicional festival.

Algumas campanhas, acredito que levaram prêmios pelo fato de serem produzidas por grandes agências para grandes anunciantes. Nada contra as agências que ganharam esses prêmios e tiveram os insights, aliás, sorte e competência delas de terem clientes que acreditam em suas criações.
Falo isso, pois, peças brilhantes de agências menores e clientes menores, ficam de fora da premiação ou levam Leões de menor expressão (se é que dá pra falar isso). Em alguns casos nem chegam nem próximo ao Palais.

Então, como fazer quando se atende contas pequenas, em mercados pequenos?

Toda vez que acredito ter tido uma “ideia foda” logo penso nas impossibilitações e logo a guardo.  Talvez esse seja meu principal defeito profissional atual. Vivo lutando contra esse bloqueio natural.
Mas o pior não é ter ideias e não realizá-las, o pior é ver algo parecido, e anteriormente desacreditado rapidamente, ganhando prêmios e sendo reconhecido.

No auge da minha frustração pensei: “Vou vender minhas ideias que acredito que ganhariam algo em alguns festivais publicitários. Somente assim poderia vê-las concretizadas”. É claro que pra isso alguém grande precisaria acreditar numa Idea de um cara de planejamento do interior, que se acha criativo.

Acredito seriamente que algumas teriam chances reais. “Por mais que me falem que poderia não dar certo, prefiro acreditar que dariam para não me tornar um acomodado previsível”. No dia em que isso acontecer terei perdido a essência que fascina na publicidade.

Essa é a vida (e as frustrações corriqueiras) de um simples Planner do interior. E não me falem que eu deveria ir pros grandes centros e buscar as oportunidades, que prefiro pensar que um dia, mesmo no interior, vou conseguir criar essa oportunidade.

Doce ilusão? Talvez. Mesmo assim continuarei tentando e tendo ideias.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A arte de se fazer entender


As redes sociais permitem uma gama infinita de possibilidades de propagação de informação. E é isso que muitas marcas estão fazendo. Mesmo que não haja presença Web, e às vezes até um planejamento, conteúdos são postados periodicamente.
Isso é muito legal, pois aproximam as marcas do target e geram engajamento.

O que me questiono é quantos estão fazendo isso bem feito.  Essa dúvida é recorrente, pois vejo muita gente falando, falando, falando e nada de ativação.

Uma definição interessante (roubada do twitter de alguém) é: “O twitter é igual a um hospício. Um monte de gente falando sozinho, de vez em quando alguém responde.”

Na verdade essa definição poderia ser usada pra vários perfis de marcas, que literalmente falam sozinhas. Se trocar a palavra “Twitter” por qualquer outra rede social também funciona.

O fato é que as marcas querem falar, mas não estudam o formato de fazer isso. Antes de “falar” é necessário obedecer regrinhas básicas, como, identificar seu target, segmentar, ajustar a linguagem para seu perfil, ouvir etc. Isso não é novidade pra ninguém, ou é?

Também é preciso levar em conta a cultura onde seu target está inserido, seu modo de pensar e agir, seu comportamento e principalmente como querem ser vistos pelos seus amigos.
Falar a língua do target é se fazer entender, é dialogar, é gerar identidade.

“Não adianta falar quando o receptor da mensagem não está pronto para ouvir”.

A maior parte tem usado as redes sociais como broadcast, eles falam e não se importam se você entende.

Outro ponto ignorado é o que as pessoas sentem ao compartilhar um conteúdo gerado pela marca. Na hora de gerar conteúdo, não se deve pensar no que você quer mostrar agora. Pense no compartilhamento, ou seja, o que as pessoas vão querer dizer ao compartilhar aquele conteúdo.

As marcas tendem a falar com fãs e mídia, porém ignoram públicos importantes, como, influenciadores, público-interno, fornecedores e parceiros. Como podemos buscar novos públicos antes de criar comunicação com quem já quer nos ouvir?  Torne-os seu público embaixador da sua marca.

Portanto: qualifique, crie conteúdo segmentado, ative e monitore.

“Não importa o que você diz, importa o que as pessoas entendem.”

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eventos de Social Media – o que temos além do mais do mesmo?



Nesse próximo final de semana, dias 11 e 12 de maio acontece o Social Media Brasil 2012, evento que reunirá a galera do “Xoxo Media”. Olhando a programação do evento, que novamente será dividido em 2 salas, uma com painéis e outra com palestras, fiquei imaginando o conteúdo de cada painel/palestra, para decidir-me previamente em quais dos ambientes estarei em cada horário. Pois bem, ao olhar alguns temas fiquei pensando: “O que mais os eventos de Social Media  podem oferecer que não seja mais do mesmo?” O texto não é uma crítica ao evento, mas sim uma reflexão sobre eventos de um modo geral.

Encontros desse tipo acontecem aos montes. A cada semana surgem novos anúncios, novas palestras e novos auto-intitulados especialistas que propõe novas palestras. Basta um novo termo e surgem novos “fodásticos” no assunto. Mas deixa isso pra lá. Esse assunto dá outro post.

Fico pensando e questiono a qualidade, não só dos eventos, mas também dos palestrantes e apresentadores. Essas pessoas recebem atenção especial e seus slides tornam-se “statu quo”.
Com a rapidez da propagação das informações nas mídias sociais, muita gente está sendo formada e influenciada por conteúdos mostrados em eventos do tipo.

Agora me pergunto: “- O que esperar dos profissionais baseados apenas em debates e conteúdos disseminados em eventos?”

Muitas discussões nas mídias sociais são rasas, com análises fundamentadas em “achismos” e supostas constatações anteriores.

As mídias sociais nada mais são que relacionamento entre pessoas.  Muitos não entendem a real necessidade de estudar psicologia, sociologia e até mesmo filosofia. Preferem dados “chupados” da web e novas teorias baseadas apenas no comportamento atual.

Vou para o Social Media Brasil com esperança de ver conteúdo interessante, relevante e fundamentado. Espero ainda discussões pertinentes e aprofundamento nos temas. O evento do ano passado apresentou temas interessantes que fizeram valer o investimento e me estimularam a voltar.

Senhores palestrantes, por favor, não apresentem mais do mesmo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Não me faça pensar

Com o avanço de outras áreas, como TI e Mídias Sociais, e a competição ferrenha por novos talentos, a cada dia está mais escasso esse ser chamado publicitário. Se for talentoso então, é peça de colecionador.

Com isso, as agências estão tendo que formar desde cedo, moldar e direcionar suas jóias a serem lapidadas. Isso está causando um reboliço no mercado. O cara nem saiu do primeiro ano da faculdade e já se acha o “fodástico”. Assim aumenta as idas e vindas de profissionais pelas agências. Não é incomum encontrar jovens de 23, 24 anos que já passaram por 5 ou 6 agências. Os profissionais de gestão de pessoas e RH estão de cabelos em pé buscando soluções para reter esses talentos nas empresas.

Esse cenário de formação inicial tem mostrado uma realidade preocupante: os novos profissionais têm extrema preguiça em pensar.

Steve Krug lançou, em 2006, um livro sobre técnicas de desenvolvimento web que frisa que um bom site não deve fazer o internauta pensar, deve ser intuito e claro, caso contrário esse usuário deixa de navegar pelo site.  Esse processo parece que “viralizou” para o mundo real.

Talvez influenciados pela internet e principalmente pelas mídias sociais, o processo de pensar está ficando em segundo plano.

As coisas estão cada dia mais automáticas e reproduzem um senso de que: “- Pra que vou pensar se já têm outras pessoas para fazer isso por mim?”

Outra forma de perceber isso são as discussões rasas que assolam as conversas, sejam elas offline ou online. Os discursos são prontos e padronizados. Nas mídias sociais é comum ler replicações e compartilhamento de coisas que a pessoa nem compreende, ou o pior, nem tem opinião a respeito, porém acha cool mostrar que comentou determinado assunto.

Bom, mas voltando ao mercado publicitário, os formadores de novos talentos, isso inclui professores, educadores e líderes, precisam estimular o simples ato de pensar. Com ânsia de fazer acontecer, premissas são ignoradas e isso reflete no final do processo. Problemas que poderiam ser resolvidos de forma simples e rápida ganham tamanhos maiores, geram stress e deixa tenso o ambiente de trabalho, simplesmente por não se ter pensado.

Como é possível desenvolver uma campanha criativa e que traga retorno ao cliente se o pensamento já está em qual filtro pode ser utilizado para dar o efeito desejado a foto? Ou então, como é possível desenvolver um planejamento a longo prazo se o foco está na ação imediata?

Ou pensamos a respeito ou veremos uma geração de novos estudantes e profissionais impondo: peça-me qualquer coisa, só não me faça pensar.

E você, o que pensa disso?

segunda-feira, 19 de março de 2012

Só sei que nada sabemos

Como profissionais de comunicação, seja ela propaganda, social media, entretenimento, transmídia etc., buscamos o tempo todo oportunidades para levar nossa marca a mente dos consumidores.  Alguns profissionais se tornam gurus do dia para a noite de uma determinada área que acabou ser criada, porém não vou me aprofundar nisso, pois esse assunto daria mais alguns artigos.
Muitos correm atrás das oportunidades e reclamam quando as mesmas não lhe são oferecidas. Tenho simpatia pelas pessoas que correm atrás de seus sonhos, porém admiro as que criam seus sonhos, ou seja, não correm atrás das oportunidades, eles as criam.
Por que abordei esse tema? Pois recentemente o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou uma pesquisa sobre a chamada “Terceira Idade”. A pesquisa aponta que em apenas 10 anos essa população aumentou cerca de 42%. São mais de 20 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos no Brasil. Esses dados por si só já surpreendem, porém, o potencial está nos cerca de 250 bilhões de Reais que essa população tem pra gastar.
Estudos apontam que as pessoas estão ficando cada dia mais tempo em casa, o que alguns especialistas classificam como “Vida em Casulos”, porém, os idosos querem passear, se divertir e aproveitar a melhor idade, onde já adquiriram a independência financeira e podem curtir os prazeres da vida.
Os dados de que os idosos estão gastando mais com lazer, turismo e cultura não são novidades. Aí é que está o gap. Se existe demanda, existe oportunidade, por que não aproveitamos esse potencial todo nas redes sociais e na internet?
As famílias brasileiras estão diminuindo a cada dia a população envelhecendo rápido.  A expectativa de vida de uma pessoa que nasceu em 2012 é de 73,5 anos. Ao longo de 3 décadas a expectativa de vida aumentou em dez anos e onze meses.
Uma coisa é perceptível: não estamos preparados para atender esse público. E o pior, temos muitos preconceitos com relação a eles. O simples fato de pensarmos que esse público não está presente no ambiente online já mostra o quanto os subestimamos.
As redes sociais são inteiramente voltadas para jovens e os sites são pensados, estruturados e layoutados para esse mesmo target.  Tem-se uma miopia com a terceira idade.
Nós jovens somos convictos em afirmar que sabemos tudo sobre sociabilidade, porém, temos muito a aprender. Temos muito trabalho pela frente, mas o bom disso tudo é que a oportunidade está aí, batendo à porta, escancara pra todos. Basta enxergá-la. Quem conseguir fazer certamente vai se dar bem.
Depois que a oportunidade passar, não adianta ficar resmungando e reclamando.

Texto originalmente postado no imasters.com.br 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mídia Social Tradicional

Que as redes sociais estão ganhando espaço no chamado “bolo publicitário” dos grandes anunciantes ninguém pode discordar. Agora, o que podemos questionar é que muito pouco se vê realmente de campanhas pensadas exclusivamente para as redes sociais.

A verba até pode sair dessa fatia e contabilizada para fomento do mercado, porém, isso reflete o que muitos se propõem a fazer?

As campanhas que mais tiveram sucesso nas redes sociais no último ano(prefiro não citar por questões éticas) me pareceram mais derivações de campanhas para mídias tradicionais do que de Social Media propriamente dita.

No meu ponto de vista ficam claros alguns cenários:
- as campanhas para social media ainda são pensadas por mentes voltadas para o tradicional, mesmo que seu planejamento tenha sido feito por jovens hard users.
- os anunciantes e a dependência das agências por determinadas contas influenciam as campanhas pensadas exclusivamente online. Poucos têm coragem de inovar, desafiar e provar para o cliente que suas estratégias dão resultados. Pelo medo de errar, não fazem.
- as agências ainda não conseguem apresentar claramente uma separação entre tradicional x digital.
(Para ser sincero, não concordo muito com o termo “tradicional”, justamente pela visão desse artigo, porém vou usá-lo para que fique mais clara a divisão.)


Parece-me que quando há integração entre meios, quase sempre prevalece o off line, que guia a campanha e o online tem de se adaptar. Há casos até que o pensamento é no online, porém o resultado final depende do off line. Vide algumas campanhas com QR Code. Eles têm a pegada digital, porém sua concepção tem o “pezinho” no tradicional.

Poucas agências podem bater no peito e dizer: “- pensamos exclusivamente em redes sociais (digtal, online, mobile etc) e todas nossas ações são exclusivamente pensadas nesse ambiente.”

Penso que é difícil modificar um formato que vêm dando certo há décadas. Os comerciais no Superbowl falam por si só. Porém, ao se propor entrar nesse mundo misterioso das mídias sociais, móbiles, digitais etc é preciso ver com outros olhos e ouvir com outros ouvidos.

Muito se fala do engajamento e da co-criação de conteúdo. Será que isso realmente está acontecendo? Em grande parte parece que as marcas estão mais preocupadas em moderar seus públicos do que envolvê-los no processo criativo/colaborativo.
As marcas precisam entender de uma vez por todas que as pessoas se engajam por acreditarem no que estão fazendo, a qualquer sinal de manipulação ou quebra de confiança esse engajamento é automaticamente reverso.
Antes de tudo é preciso entender as redes sociais e principalmente as pessoas que fazem as redes sociais. A segmentação é cada dia mais difícil e a pluralidade ainda mais crescente.

Pra mim, a chave da questão está em como os planners e os criativos vão concatenar os pensamentos.

Faço esses questionamentos, mas ainda penso que a divisão entre planejamento online e off line ainda está longe de acontecer. Também não acredito ser o único caminho a seguir, pois, analiso que pontos de vista diferentes podem ser questionadores e fortalecem o resultado final, assim como o não vejo mais possibilidade de separação entre criação e planejamento, seja ele estratégico ou de mídia. Ambos devem ser sinérgicos.

Como já é sabido, o caminho é sem volta. Resta descobrir que saberá tirar melhor proveito das pedras. Há um longo caminho a ser percorrido. Então, pé na estrada, pois já tem muita gente andando. Caindo, levantando, mas sempre andando.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

É possível controlar o poder da propagação das redes sociais?

As redes sociais recebem milhares de campanhas todos os dias, de micro a grandes empresas, em todo canto do mundo, algumas muito bem planejadas e outras nem tanto.
Algumas vezes, campanhas são colocadas no ar sem ao menos a agência e o anunciante esperarem por isso, ao mero acaso.

Um exemplo disso é o mais novo meme #luizaqueestanoCanada. Não vou nem me atrever a explicar o caso, pois quase todo mundo já deve ter visto algo a respeito. Ninguém teria saco para ler, nem a Luiza...

O que mais me chama atenção nesses casos é a proporção que a Internet consegue dar pras coisas. O assunto conseguiu minimizar grandes polêmicas da semana, como a grávida de 4 bebês que não está grávida, o possível abuso sexual no BBB, navio que afunda na Itália e mais um monte  de coisas. Aliás, pouca gente citou que o navio naufragado é o mesmo utilizado pelo Corinthians em seu centenário rsrs. Tá explicado. (não podia deixar passar a oportunidade, desculpa).

Bem, voltando. O que me fez escrever esse texto é a reflexão sobre: é possível controlar totalmente as campanhas online? Elas estão sob controle ou podem ficar maior do que esperamos e colocar nosso planejamento abaixo?

Será que o pai da famosa Luiza esperava ter que trazer a menina de volta por conta do comercial?
O que me parece é que é impossível colocar uma campanha no ar, seja ela online ou offline, sem um planejamento muito rigoroso. Os profissionais de propaganda e de marketing precisam fazer criteriosas análises e suposições, a fim de tentar identificar possíveis gaps nas campanhas ou comunicação. E isso pode acontecer com anunciantes de qualquer tamanho.

O pensamento no planejamento deixou de ser algo único do departamento homônimo e passou a ser algo indispensável em todos os processos da agência, desde o briefing até a execução da campanha.
Não há como separar criação do planejamento, não dá pra fazer veicular sem planejar.

Aquela velha história de que, ah, meu filho fica o dia inteiro no Facebook e no Orkut, ele faz as atualizações pra mim, não dá mais (na verdade isso nunca deu certo). Ou você vai arriscar o patrimônio da sua marca desse jeito?
Acredito que ninguém quer correr esse risco. Nem mesmo a Luiza, que já voltou do Canadá.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Planejamento – o que eu quero ser quando crescer em 2012.

O objetivo é cumprir as metas.

Ao final de cada ano muitos planos são feitos, metas são traçadas e as esperanças se renovam (bonito isso, não?).
Pois bem. Nessa época do ano é sempre muito fácil fazer promessas, seja ela profissional ou pessoal. Alguns prometem parar de fumar, de beber, outros prometem mudar de emprego, abrir seu negócio, viajar, estudar e por aí vai. É um sentimento parecido com o que temos no final de semana, onde sempre pensamos: “- ah, na segunda-feira eu faço isso”.

Até aqui, nenhuma novidade. O problema é que isso se repete a cada ano, e na maioria dos casos os planos são sempre os mesmos. Poucos são capazes de planejar o próximo ano, correr atrás da execução e assim, atingir seus objetivos.

Uma vez ouvi uma frase – pena que desconheço o autor – que se tornou quase que um dogma em minha vida: “Quem planeja, às vezes erra; quem não planeja, às vezes acerta”.
É a mais pura verdade.

A frase acima foi recentemente reforçada por uma outra, de autoria do publicitário Duda Mendonça: “Não importa que a meta não seja alcançável. O que importa é que ela exista. Que fique lá, balizando a vida...”. 

É por isso que nesse final de ano vou traçar meus objetivos para 2012. E mais: vou buscá-los com todas as minhas forças. Pode ser que ao final do próximo ano eu tenha que repensar tudo aquilo que era objetivo, porém, não vou deixar de buscá-los.

E você? Já pensou no que vai fazer no próximo ano? Ou melhor, já pensou em como vai fazer isso? Ainda dá tempo. É por isso que estou publicando esse post com antecedência. De lambuja, é um ano bissexto, ou seja, você terá um dia a mais para fazer isso.

Ótimo final de ano e ótimo 2012.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

MAIS DO MESMO

Anúncios clichês não despertam a atenção e apenas são veiculados em lugares diferentes.

Toda as segundas-feiras já está incluso em minha rotina a leitura da revista Veja e do jornal Propmark.
Um veículo nada tem a ver com o outro, mas é muito interessante ver a linha de comunicação publicitária adotada em ambos.
A revista Veja é praticamente um semanário da propaganda brasileira. Nessa semana, nada menos que 108 páginas da revista trazem algum tipo de publicidade, sendo em grande maioria anúncios de página dupla. A revista tem 184 páginas. Porém, o que mais me chamou atenção, é que, das 55 primeiras páginas, em 51 delas há anúncio.
Estarrecido com esses números, logo pensei quais anúncios mais me chamaram a atenção. Sabe quantos eu lembrei de cara? Nenhum. Talvez eu não seja o target da maioria dos produtos ali anunciados.
Fiquei curioso e fui ver o Propmark, editorial voltado inteiramente para o mercado publicitário e seus anunciantes. Nele, a maioria dos anúncios me chamou a atenção. Nesse caso também pode ser que eu esteja inserido entre o target das marcas ali presentes. Destaque para o anúncio da Young para Gustavo Gaion no Caboré, do prêmio Marketing Best, com o case Neymar Jr. e, que ironia, um da revista Veja, “anuncião” de página dupla. Também fiquei intrigado com o anúncio da venda de um Triplex, pela bagatela de 3,3 milhões. Mas isso, deixa pra lá.
Uma vez numa palestra, ouvi a seguinte frase: “Pegue seu layout final. Encubra a logomarca de seu cliente. Veja se aquele anúncio poderia servir pra outro produto ou outra marca. Se sim, jogue-o fora e comece de novo. Ele não é bom.” Não me lembro o nome da palestrante, mas se a maioria dos diretores de criação fizesse isso, não teríamos mais do mesmo. Faça esse teste com os anúncios de automóveis que você vê na Veja.
A publicidade tem feito mais do mesmo. Sempre layout parecidos, com frases similares, com filtros exagerados no Photoshop.
Falta emoção, falta criatividade, falta tesão.
Agora, por que a diferença criativa num veículo de massa e num veículo segmentado?

Estariam os publicitários mais criativos quando devem falar com outros publicitários?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Criatividade - o tamanho faz diferença?

A criatividade é o bem mais valioso que um publicitário possui.  A ideia, proveniente da criatividade, é o que difere as campanhas brilhantes das campanhas aceitáveis ou meia boca. Alguns podem discordar, mas no meu ponto de vista, sem uma boa ideia não existe publicidade vendedora. Um ideia genial pode fazer sucesso, mesmo com uma produção medíocre, uma mídia fraca, com um planejamento confuso. Ela sempre será uma ideia genial

Como curioso que sou, vivo olhando e analisando a criatividade alheia. Uma coisa que me chama muito a atenção é: “- por que a maioria das grandes ideias são de grandes agências. Será que as pequenas não tem criatividade?

Sou um defensor de que as grandes marcas e as grandes agências deveriam buscar atuações mais próximas dos consumidores em mercados regionais. Acredito que, quanto mais próximo você está de seus diferentes mercados, mais fácil fica identificar o comportamento de seus clientes e ainda mais fácil passa ser se comunicar com ele. É isso que a internet e as redes sociais estão proporcionando. Estão aproximando as empresas das pessoas. No mundo offline isso ainda não acontece.

Não consigo acreditar que uma agência de São Paulo, por mais pesquisa que faça, consiga entender tão bem o mercado do interior como as agências nele inseridas.

Porém, a dúvida inicial volta. Como as grandes marcas podem entregar parte da conta a pequenas agências? Como essas agências são vistas por esses anunciantes?

Muitos festivais de publicidade acontecem por todo o mundo. Os ganhadores são praticamente os mesmos, todos os anos. Quantas agências pequenas você conhece que já conquistou um leão em Cannes, ou então um lápis One Show, ou em qualquer grande festival? Juro que tento me lembrar, mas não me vem nada na cabeça. Ficamos restritos a prêmios regionais. Quantos publicitários do interior são premiados pela APP, Meio & Mensagem, etc? Pois é.

Acredito que isso se dá por muitos fatores, mas os que se apresentam mais claros são, falta de bons profissionais nos mercados menores (valorização, vitrine, oportunidades), entendidas de classe que realmente façam algo por esses mercados, e falta de investimentos de grandes anunciantes no interior.
Estou lendo o livro “Ogilvy Inédito”, que apresenta listas, palestras, notas, cartas e outros. Ogilvy foi um publicitário genial, e suas reflexões estimulam nosso senso crítico.
Ele nos mostra muitos caminhos que deveriam ser seguidos, independente do tamanho da agência. Entre esses ensinamentos, na maioria das vezes é tratada a criatividade.
Uma das frases marcantes, retirada de um memorando enviado aos diretores, é: “Quero que todas as nossas agências criem campanhas que sejam melhores que as dos outros em posicionamento, promessa e idéias brilhantes”

Aí faço uma pergunta, onde me incluo nela: “- Será que pensamos em fazer algo melhor que os outros, ou nos contentamos em fazer o nosso e pronto?”
Mas vamos voltar no assunto.

Por que a criatividade das pequenas agências não aparece? Será que o tamanho realmente faz a diferença?
Acredito que muitas pequenas agências têm boas ideias, que podem não ser vistas por não possuírem cliente a altura dessas ideias.

Eugênio Mohallen em entrevista ao programa Reclame diz que uma agência boa com clientes ruins em sua maioria terá campanhas ruins, já uma agência mediana com bons clientes pode fazer boas campanhas.
Concordo com ele. Talvez essa seja uma boa resposta, mas longe de ser a única. Aquele velho chavão publicitário ainda funciona: “quem não é visto não é lembrado”. As vezes sinto que essas respostas são usadas como desculpas.

A criatividade não depende do tamanho da agência, porém, depende da capacidade criativa de seus funcionários e dos clientes atendidos por ela.